Governo de Braima Camará toma posse na Guiné Bissau a 3 meses das eleições

braima camará

O decreto que nomeou os membros do governo de iniciativa presidencial foi conhecido na noite de domingo último.

O número de pastas aumentou em relação ao Executivo anterior – há agora 26 ministros e 11 secretários de Estado. Mas, em geral, foram feitas poucas mudanças no novo governo de iniciativa presidencial. Do anterior Executivo, quase 80% dos membros mantêm os postos.

O novo primeiro-ministro,Braima Camará, afirmou que a sua principal missão será organizar as eleições legislativas e presidenciais marcadas para 23 de novembro. No entanto, “se essa era a sua verdadeira intenção”, por que não foram reduzidos os ministérios? — questiona o jurista e analista político Augusto Nansambé.

“Ele aumentou o número de departamentos governamentais e tudo indica que há uma intenção subjacente da qual o primeiro-ministro não está a ser claro para os guineenses”, comenta Nansambé, sem avançar detalhes.

O antigo primeiro-ministro Rui Duarte Barros garantiu que os preparativos para as eleições estão concluídos em 99%.

O que fazer em menos de quatro meses?

Além disso, o analista Augusto Nansambé duvida que o atual Governo possa cumprir com as outras prioridades indicadas pelo primeiro-ministro, nomeadamente as melhorias nos setores da educação e saúde.

“Com um Governo desta dimensão, sem orçamento, sem programa, sem cronograma nem Termo de Referência (TDR), vamos ter um Governo que vai trabalhar apenas nos palpites, que não é pragmático nem definido para o determinado fim”, comenta.

No Ministério da Educação Nacional, saiu Herry Mané e entrou Queba Djaite, ambos membros do Movimento para Alternância Democrática, a segunda maior força política guineense. Na saúde, Augusto Gomes, membro da Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) substituiu Pedro Tipote, do Partido da Renovação Social. 

Fidélis Forbs do MADEM-G15 é o novo ministro da Energia, enquanto Maria da Conceição Évora, da mesma formação política, muda-se da pasta da Cultura, Juventude e Desportos, para chefiar agora o Ministério da Comunicação Social. Alfredo Malu, membro do PRS, é nomeado ministro da Cultura, Juventude e Desportos.

As pastas consideradas “chave” continuam nas mãos de ministros fiéis ao Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló. Carlos Pinto Pereira mantém-se nos Negócios Estrangeiros, Botche Candé no Ministério do Interior, José Carlos Macedo, na Secretaria de Estado da Ordem Pública, Dionísio Cabi, no Ministério da Defesa Nacional e Ilídio Vieira Té continua a ser o ministro das Finanças.

O novo Executivo conta apenas com oito mulheres, quatro ministras e o número igual de secretárias de Estado.

Estratégia presidencial?

Desde que o novo primeiro-ministro, Braima Camará, foi nomeado na semana passada e o elenco governamental constituído, os principais partidos guineenses continuam em silêncio, apesar de quase todos terem membros no Executivo.

Dos partidos e coligações contactados pela DW para reagir aos últimos acontecimentos políticos na Guiné-Bissau, apenas a coligação Plataforma da Aliança Inclusiva (PAI-Terra Ranka) se disponibilizou a falar.

António Samba Baldé, coordenador interino dos vencedores das últimas legislativas guineenses, diz ter suspeitas em relação a estas mexidas: “Mais uma vez, há uma tentativa [do Presidente da República], supomos, de tentar adiar as eleições. e perpetuar-se no poder, e achamos que isso é demais.”

Em conferência de imprensa realizada no domingo, o antigo primeiro-ministro Baciro Djá, da Aliança Patriótica Inclusiva (API – Cabas Garandi), a mesma coligação política de Braima Camará, acusou o novo chefe do Governo de traição, ao assumir as funções.

“Para mim não é primeiro-ministro”, afirmou Baciro Djá. “É diretor de campanha do Presidente Umaro Sissoco Embaló, equiparado ao primeiro-ministro. E um primeiro-ministro que vem só resolver um por cento dos preparativos para as eleições, acho que isso não é sério nem digno para ele”, concluiu.

 

Fonte: Dw

 

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